Entre os convidados da audiência pública sobre “pessoas em situação de rua”, uma fala em particular escancarou o projeto autoritário que a direita higienista sonha para o Brasil. A voz era de Satírio, representante de uma casa de acolhimento, mas a cartilha era a do bolsonarismo. Para ele, a solução é simples: “secar a fonte” de auxílios e impor a internação compulsória.
A Falácia da Força: Higienismo Travestido de Cuidado
Contudo, esse pensamento não é apenas perigoso; é comprovadamente ineficaz. Décadas de luta antimanicomial no Brasil e no mundo provam que a internação forçada em massa não cura. Pelo contrário, ela apenas esconde a miséria temporariamente sob o tapete da repressão. A verdade é que essa abordagem violenta o indivíduo, destrói os laços que ainda lhe restam e drena recursos públicos que deveriam ser investidos em tratamento humanizado e em comunidade.
A Guerra contra o Auxílio: Culpando a Vítima
Além disso, o discurso de Satírio revela o profundo incômodo da direita com qualquer forma de solidariedade estatal. Ao atacar o auxílio de R$ 600, ele apenas repete a velha cartilha da elite: a culpa da pobreza é do próprio pobre. Para essa mentalidade cruel, a rua não é um sintoma da desigualdade brutal do nosso sistema. É, em vez disso, uma questão de “preguiça” ou “má índole”.
A Resposta é Dignidade, Não Algemas
Em suma, transformar sofrimento social em caso de polícia e saúde pública em punição é a essência deste projeto político. É a política da força, da bota, do tapa e da algema. Mas a resposta real para quem vive na rua nunca será a violência institucional. A solução passa por tratamento digno, moradia, emprego e políticas sociais de base.
Afinal, a pergunta que fica é: até quando vamos aceitar que “cura social” seja apenas um codinome para repressão e violência?