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Herança Maldita: Improbidade, Silêncio e Poder em Arapongas

Texto: Prova da denúncia de improbidade em Arapongas: Termo de Audiência mostra o vereador Paulo Grassano, ligado a Onofre e Cita, representando a empresa SSBARCAR em processo judicial.

Salve, salve, salve cidadãos araponguenses! Sabe aquele ditado que diz que “fruta não cai longe do pé”? Pois bem, na política de Arapongas, parece que o poder também não. Embora a gente troque o prefeito, o sistema, ou seja, o cheiro de esgoto de acordos feitos no escuro, continua o mesmo. Hoje, portanto, vamos falar sobre a herança maldita da nossa política, dissecando um caso de improbidade administrativa mostrando a cara de pau de quem acha que a lei não se aplica aos ricos e poderosos.

De fato, a denúncia contra o vereador Paulo Grassano, que agora repousa na mesa do Ministério Público, é um sintoma. A doença, no entanto, é muito mais profunda e contamina os corredores da prefeitura e da Câmara. E, ao que parece, tem gente muito interessada em varrer essa doença para debaixo do tapete.

A Prova do Crime e a Hipocrisia do Herdeiro

Primeiramente, vamos aos fatos, pois contra eles não há marketing que dê jeito. O personagem da vez é o vereador-herdeiro. Um milionário que adora posar com discurso de “transparência”, mas cuja prática empresarial, em contrapartida, levanta um fedor de ilegalidade. Além disso, para quem ainda duvidava, um documento oficial, um Termo de Audiência do dia 21 de maio de 2025, mostra o vereador representando a empresa SSBARCAR VEÍCULOS LTDA perante um juiz.

Exatamente isso. Ele não é só um parente distante; ele atua ativamente em nome da empresa do clã. Consequentemente, é a mesma empresa que, junto com outras do grupo familiar, abocanha contratos com a prefeitura que ele, como vereador, tem o dever de fiscalizar. Em suma, a conversa mole acabou. A prova material, irrefutável, está na mesa.

A Lei é Clara. O Descaramento Também.

Agora, vamos à lei. Aquela que, para o filho do pobre, é uma marreta, mas para a elite, parece ser apenas uma sugestão. Especificamente, a Lei Orgânica de Arapongas, a lei máxima da cidade, é curta e grossa no seu Artigo 20: Vereador é PROIBIDO de ser “diretor de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público”.

Em outras palavras, não tem “talvez”, não tem “depende”. É proibido. E a punição? O Artigo 21 decreta: PERDA DO MANDATO.

E aqui, caro leitor, a história fica mais saborosa. Afinal, não estamos falando de um novato. Paulo Grassano foi Secretário Municipal de Desenvolvimento, Inovação, Trabalho e Renda na gestão de ninguém menos que Sérgio Onofre. Justamente por isso, ele conhece a máquina, ele conhece a lei. A ilegalidade aqui, portanto, não pode ser chamada de erro ou ignorância. O nome disso é descaramento. É a arrogância de quem se sente protegido por um poder que vem de longa data. E um poder de quem agora sonha com uma cadeira de deputado estadual.

O Silêncio de Rafa Cita e a Sombra do Padrinho

Assim, com a denúncia no MP e as provas esfregadas na cara da cidade, o que se esperava da Câmara de Vereadores? Ação. O Regimento Interno deles (Artigos 213 a 215) dá o mapa da mina para abrir um processo de cassação. Diante disso, por que o silêncio sepulcral? Por que os 14 vereadores enfiaram a viola no saco?

A resposta, no entanto, talvez esteja no topo da pirâmide. Onde está o prefeito Rafa Cita? Por que o sobrinho e herdeiro político de Sérgio Onofre não diz uma palavra sobre o escândalo envolvendo um aliado de primeira hora de seu tio?

Será que o silêncio de Rafa Cita é uma ordem para proteger a pré-campanha de Sérgio Onofre a deputado estadual? Afinal, um escândalo de improbidade envolvendo um ex-secretário seu seria uma mancha feia na campanha, não seria? A proteção a Grassano hoje é, por acaso, o pagamento de favores de ontem e um investimento para o futuro?

Sem dúvida, esse silêncio covarde da Câmara e da Prefeitura não é um ato de prudência. Pelo contrário, é um ato de cumplicidade. É um recado para o povo de que, em Arapongas, a lei tem dono. E o dono não somos nós.

Portanto, este caso deixou de ser sobre Paulo Grassano. Agora é sobre a integridade (ou a falta dela) de toda a classe política local e o que essa teia de improbidade em Arapongas representa para o futuro da nossa cidade. É sobre o prefeito Rafa Cita provar que não é apenas um fantoche do tio. É, acima de tudo, sobre os vereadores mostrarem que têm coluna vertebral.

Finalmente, é preciso dizer que Arapongas não é feudo para ser passado de avô para nete e, muito menos, de tio para sobrinho. O poder não é herança. E o nosso voto, definitivamente, não é um cheque em branco para a impunidade. Eles que não duvidem da nossa capacidade de nos organizar.

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