A Câmara Municipal de Arapongas conseguiu se superar na hipocrisia. O vereador Paulo Grassano, herdeiro milionário e membro da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Social, aprovou um projeto que, em vez de combater a pobreza, tenta apenas escondê-la. A tal campanha “CONSTRUA FUTUROS, NÃO SUSTENTE PASSADOS” não tem nada de conscientização—é puro higienismo.
O argumento de que dar esmolas perpetua a pobreza é um discurso falacioso e elitista. Pobreza se perpetua com a falta de políticas públicas, com a ausência de moradia, emprego e acesso a serviços básicos. O que essa lei realmente faz é tentar culpar quem está na rua por sua própria miséria, enquanto ignora a total incompetência do poder público em oferecer soluções reais.
E tem mais: Grassano, um homem que nunca precisou contar moedas para comer, decide sobre os direitos dos mais pobres. Quando seu nome foi indicado para a Comissão de Direitos Humanos e Assistência Social, já alertamos que ele não tinha preparo, sensibilidade ou qualquer vínculo com as reais necessidades da população vulnerável. E agora, ele prova isso na prática!
Dizem que existe abrigo e assistência suficientes, mas não mencionam as regras abusivas e a falta de estrutura que impedem muitos de acessarem esses serviços. A verdade é que o poder público falha e depois culpa os pobres por não se encaixarem nas suas políticas excludentes.
Se Grassano e a Câmara realmente quisessem “construir futuros”, estariam discutindo renda básica, moradia digna, programas de reinserção social e políticas públicas eficazes. Mas não, preferem criar campanhas inúteis para lavar as mãos e criminalizar a miséria.
A cidade não precisa de propaganda contra a esmola. Precisa de vereadores que entendam o que é passar necessidade e que lutem por justiça social de verdade!