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Hipocrisia Legislativa em Arapongas: Moção Absurda e Distração Total

Na última sessão da Câmara de Vereadores de Arapongas, em 05 de março de 2025, o plenário legislativo aprovou por unanimidade uma moção de apoio ao Projeto de Lei nº 3.127/2019 – que propõe a castração química voluntária para reincidentes em crimes contra a liberdade sexual. Assinado por nomes conhecidos como Aroldo César Pagan e Décio Roberto Rosaneli, o documento é mais um exemplo gritante de como os vereadores preferem debater temas sensacionalistas enquanto a população sofre com a falta de políticas públicas reais.

Hipocrisia Legislativa

É inacreditável ver a Câmara aplaudindo uma medida que, à primeira vista, parece ter um apelo de “justiça imediata” contra criminosos sexuais. Porém, essa moção serve para mascarar uma verdadeira aberração jurídica: em vez de se dedicar às urgências do cotidiano – saúde, educação, segurança e infraestrutura –, os vereadores escolhem pautas que apelam para o morbo e para o autoritarismo. Não se trata apenas de uma questão de lógica, mas de uma hipocrisia escancarada que revela o descompasso entre o discurso moralista e a realidade negligenciada pela população.

Descuido com a População

Enquanto os representantes se entretêm com debates sobre castração química e homenagens vazias, a maioria dos cidadãos continua “jogada às traças”, sem o mínimo suporte de políticas públicas eficazes. A cidade clama por investimentos concretos que transformem a vida das pessoas, mas, ao invés disso, assistimos a um show de vaidades e posturas conservadoras que nada resolvem. Essa moção é apenas mais uma distração conveniente para mascarar a falta de compromisso dos vereadores com as demandas reais de Arapongas.

Ascensão da Extrema Direita e Conexões Perigosas

Apoiar medidas como essa, além de desviar o foco do que realmente importa, é sintomático de uma mudança perigosa na arena política local. Diferente do bolsonarismo, que era um aglomerado desorganizado de opiniões, o movimento conservador que agora se fortalece é articulado e ameaça instaurar um clima de intolerância. Esse grupo não apenas se alimenta de pautas excludentes, como a proteção exclusiva à religião cristã e a oposição veemente a políticas de assistência social, mas também está disposto a implementar medidas autoritárias que corroem os fundamentos democráticos. E não podemos esquecer: enquanto defendem um Estado mínimo – exceto quando o assunto é despejar rios de bilhões para o agronegócio – esses vereadores parecem mais interessados em manter uma fachada moralista do que em cuidar da população.

A moção de apoio ao Projeto de Lei nº 3.127/2019 é, sem dúvidas, um exemplo claro de como a Câmara de Arapongas está se perdendo em pautas irrelevantes e perigosas. O foco deve ser redirecionado para a promoção de políticas públicas que efetivamente melhorem a vida dos cidadãos, em vez de se embrenhar em debates que apenas servem para alimentar a ascensão da extrema direita e para criar precedentes autoritários. É hora de repensar as prioridades e exigir responsabilidade dos nossos representantes, antes que as consequências se tornem irreversíveis.

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