O aumento alarmante de mortes causadas por ações policiais em Londrina levou a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) a realizar, no dia 8 de maio de 2025, a audiência pública “Segurança em Questão: Denúncias de Abusos Policiais em Londrina”. A atividade ocorreu no auditório da OAB local e foi organizada pela Comissão de Direitos Humanos e da Cidadania da Alep, presidida pelo deputado Professor Lemos (PT). A audiência buscou dar voz às vítimas, discutir soluções e cobrar responsabilização diante de uma escalada de violência estatal.
Segundo dados do Ministério Público do Paraná (MPPR), o número de mortes em confrontos com a polícia no estado subiu de 348 em 2023 para 412 em 2024. Londrina, que havia registrado 29 mortes em 2023, saltou para 49 em 2024 — tornando-se o segundo município com mais mortes em ações policiais, atrás apenas de Curitiba.
Casos emblemáticos como os dos jovens Kelvin Willian Vieira dos Santos, de 16 anos, e Wender Natan da Costa Bento, de 20, mortos após abordagem policial no Jardim Leonor em fevereiro deste ano, motivaram protestos e reforçaram a necessidade da audiência. Imagens de câmeras de segurança desmentem a versão oficial de confronto, acirrando a revolta popular.
Estiveram presentes parlamentares estaduais e federais, entre eles Professor Lemos, Arilson Chiorato, Lenir de Assis e Tadeu Veneri, além de representantes da OAB, do Poder Judiciário, de comissões de direitos humanos e de entidades da sociedade civil. Entre os encaminhamentos aprovados, destacam-se:
- Implantação obrigatória de câmeras corporais em policiais do Paraná;
- Criação de comissão permanente para acompanhar casos de violência policial, com membros da Alep, Câmara dos Deputados, OAB e sociedade civil;
- Encaminhamento obrigatório de casos de supostos confrontos à Corregedoria-Geral, com dupla análise e impedimento de arquivamento sem denúncia formal;
- Acesso irrestrito da comissão aos laudos psicológicos e psiquiátricos dos policiais envolvidos, para garantir que estejam aptos ao serviço.
A intervenção da Dra. Amani Said, que propôs a vedação de arquivamentos em casos com indícios de extermínio sem o devido processo legal e direito ao contraditório para as famílias das vítimas, foi aplaudida por todos e acolhida pelo presidente da mesa.
A audiência foi um marco importante na luta por justiça e transparência no Paraná. A pressão popular e o monitoramento constante da sociedade civil são essenciais para que as medidas avancem e vidas sejam preservadas.